(À Nicanor Parra)
La
fora,
A
chuva é bravia...
Contudo
não sabe
Nem
desconfia!
Tenta
apenas levar
Mas
acaba é trazendo...
Aquilo
que levou
E não devia!
Saudades
(aos sinos da matriz)
Por
quem badalam
Os
sinos da Matriz de São Sebastião.
D'aqueles
que compuseram sua história
A
antiga "Villa de Bananeiras"
Misturam-se
no sem fim
No
gemido, no lamento do passado.
Uma
avidez nobre e profunda
Sonhos
d'alma, em cada um de nós.
Os
sinos...
Da
"Villa de Bananeiras"
Saudosas
imagens do tempo.
De
mim, saudades tuas!
Um certo Manoel
(Ao mestre Gabinatti)
Pois,
Certos lhes pregaram o destino...
Assim foi o desejo do teu progenitor
Mas por ele mesmo, não quis
Nem a batina ambicionar.
Trajeitoso até no teu modo de falar
A enigmática figura de Gabinatti
Narrava histórias das tuas andanças.
Mistura divina de poeta, filósofo e profeta
Andarilho pelas veredas das distâncias.
Suas palavras atingiam o profundo
De todo coração de nossa gente
Iluminando por novos ideais
Um andarilho abençoado por Deus
D’um povo ávido de realizações
Naquele ermo de mundo sem fim
Um sempre viageiro ilustre andarilho.
Foi assim Manoel Gabinatti
Dos Espósito Espositel
Retornando ao passado da nossa gente.
Aquele conspícuo desconhecido
Mais versado... Como foi Gabinatti
Negou ser ordenado ao sacerdócio
Possuía a mania de escolher nomes
Aos lugarejos por onde teus pés pisassem.
Trazia consigo a mania de andar mundo afora
Trouxe aqui, suas ideias de “Gwa yá tuba”
Goyázes desse nosso argentário meridião
Dos Buenos, desenhado pelo “Rio Meia Ponte”
Bandeirantes desse enigmático sertão!
Menor que teus sonhos não foi
A vontade de ver aqui, o pequeno “villarejo”
Relicário de São Sebastião das Bananeiras
Cultivada aos gentílicos que andrilhavam
Chamar-se Goiatuba, fora a tua vaidade!
MULHER
Uma mulher anjo,
Que no tempo manso.
Descreveu por linhas
Das tuas fábulas e contos
Poemas e histórias minhas!
Uma mulher
Serena e fantasiosa
De olhares atentos.
Poetizando tuas andanças
Lendo todos os pensamentos
Romântica e carinhosa
Madura, cuja feição se faz no tempo,
Mulher de verdade, corajosa liberal.
Eterna no amor, pra alguns foi insana...
Ciumenta, antagônica e genial!
Descreveu por si só,
Teus adágios por vezes.
Anjos mil, alentos sobre linhas afora
De sobressaltos amores santos
Aninha de Goiás, nossa Cora.
Mulher da ponte.
Dos becos dos Buenos
Em traquejos, no seu modo de andar.
Dos sertões, dos meus amores.
Aninha feia, “no seu imaginar”
Aninha... Cora!
Imagem Wikipédia
Meu rio desce!
(Ao Bandeirante Bartolomeu Bueno Filho)
Lá vai meu remanso
Correndo chão a baixo
Brota das trilhas em pindoramas
Tuas cristalinas águas mil!
Desce ribeirinhas léguas
Ponte e meia, dito em reverso
Alcunhas das bandeiras vindas
Do senil Bueno dos Bartolomeus
Corre caudaloso e sereno...
Pra terras amenas do “meio sul”
Do norte surge, e vem desaguando
Pra divisa das “minas dos gerais”
É, o meu Rio Meia Ponte
Tão nobre, nas tuas ribeiras de Goiás
Mesmo que tu não vejas em alpestre
Esse rio doce, também corre em mim.
Nascendo coração viril
Do outeiro dos Brandões
Comuna promissora de Itauçu,
Rincão fidalgo do meu Goiás!
(Aos ilustres goiatubenses)
Goiatuba
nossa,
Minha
princesinha cidade.
Bananeiras
que já passou, ficando na saudade.
Cravada
na verdade, há mais de um século,
No
rincão brasileiro, sul precioso de Goiás.
Na
rota dos aguerridos desbravadores.
Caminhos
que rasgavam pelo nosso Sul,
Rumo
às Minas dos Guayáses.
Insurgida
na rota dos bandeirantes,
Transformado
entre outros, Estrada Real.
Surge
do descanso, o Pouso das Bananeiras.
Lugarejo
de São Sebastião do Pouso Alegre
Originário
das ditas paragens de caminheiros.
Por
onde também passavam tropeiros
O
nome adotado, por pouco tempo ficou
Outros
que aqui aportaram em busca da sorte
Em
carros de bois, chegavam trazendo seus valores
Tomaram
as margens do Córrego Bananeiras
Levantaram
suas casas e casebres,
Em
quase todas as direções dali.
Ergueram
uma grande cruz de madeira,
Fizeram
de primeira, uma missa ao santo rezar.
Uma
gleba de terras, doaram ao milagroso padroeiro.
Chamaram-na
de “ São Sebastião das Bananeiras”
Bananeiras
de fartura, gados e lavouras.
Da
minha terra consagrada, onde se plantou.
Que
acolheu ricos e pobres, brancos e negro.
Aventureiros,
desbravadores e camaradas.
D’outros
estados vindos, para o villarejo morar.
Gente
guerreira, gentílicos das bandas das gerais.
São
Sebastião, de Manoel Vicente Rosa
Amigo
e compadre de Candido Luiz de Castilho,
Semeadores
de esperança, colhedores de abundância.
Villa
de três ruas, assim por todas conhecidas,
Rua
de cima, rua do meio e rua de baixo.
Foi
o que se sabe há muito tempo atrás
Valorizado
pelos moradores, o Engenho de Serra
A
primeira luz elétrica já instalada no povoado
Por
José Maria Filho comerciante notabilizado.
Muitos
outros detalhes, se tivesse espaço pra contar.
Bastava
o córrego atravessar, já se via na margem de lá.
Chácara
da Dona Lina de Sousa, marca de mulher audaz
Gente
do comércio, homens valentes pela natureza.
Tementes
a Deus, outros nem tanto assim faziam.
Outros
praticavam da valentia, seu modo de viver
Terras
de posses, rincão de Santa Cruz de Goiás.
Donatários
e agregados começavam suas fortunas fazer.
Assim
Gabinatti apareceu, na minha Bananeira de antes.
Decidiu-se
que já era hora de Morrinhos separar.
Ao
Dr. Pedro Ludovico fez um ofício a elucidar
Pedidos
assinados por lideranças que aqui moravam
Francisco
Evaristo, homem do povo, sua amizade conquistou.
Nomeado
pelo Interventor em novecentos e trinta e um.
Os
destinos da Villa, foi o primeiro a governar.
João
Rocha, de ferreiro a austero delegado trabalhador.
Sr.
Zote, na construção de Goiânia foi participar.
Diplomado
em medicina na Capital do Rio de Janeiro
Dr.
Álvaro Xavier, sua profissão veio aqui praticar.
Comerciantes,
os Garcia de Minas vieram pra morar.
Tonico
Marques, Coronel Lúcio Prado e os Moraes.
Não
podia esquecer de tantos diferentes,
Que
de tão distante vieram pra obras fazer.
O
italiano Tomazotte construiu seu hotel ítalo-brasileiro.
O
alemão Fritiz que fez o segundo traçado da Villa
Ambos
inimigos da Grande II Guerra Mundial
Que
por ironia, em Bananeiras fizeram amizade.
Tornaram-se
inseparáveis e confidentes companheiros!
Tantos
outros que ajudaram escrever nossa história.
Sobre
o rio Meio Ponte Afonso Arantes mandou,
Uma
ponte de aroeira e outras madeiras construírem
Contratou
José Portilho um habilidoso carpinteiro
Em
um ano, qualquer lado das margens já podia atravessar.
Bastava
algumas moedas simbólicas, ao vigia entregar.
No
vau de São Domingos ninguém precisava mais passar.
Povoados
de Boa Vista e Bom Jesus começaram a aparecer
Gente
arrojada, Francisco Evaristo e o povo fez,
O
primeiro grupo escolar começou a projetar.
Do
prefeito Glicério Cunha,
A
família de Dr. Laudelino homenagem recebeu
Serviu
também de palco dos encontros cívicos culturais
Com
muito orgulho de geração em geração se tornou.
Bananeiras,
“ nossa gente dessa boa terra”, outro nome buscou.
Ideia
do Gabinatti, de Gwa yá tuba, para Goiatuba ficou.
Etimologicamente
se fez, “muita gente da mesma raça”
Rancado
do peito de um andarilho, dito como louco.
Apaixonado
poeta pelo que via, mandou um dia escrever,
Francisco
de Brito no seu livro citou, pode ser Goiatuba
Terras
dos Guayáses, “Onde Goiás é grande”
De
qualquer sorte,
Pouso
das Bananeiras, São Sebastião do Pouso Alegre,
São
Sebastião das Bananeiras, Bananeiras ou Goiatuba,
Na
história ficou governantes e governados,
Amantes
e amados por aqui passaram,
Passando
ou passará!